Crônicas

domingo, 23 de novembro de 2014



Vital
Foto copiada de www.ventosdepaz.blogspot.com. Sem crédito
              Vital não é homem de meios termos. Entre café e uísque, ele prefere um de cada vez. Entre ler e ouvir rádio, ele prefere os dois ao mesmo tempo. Entre o ontem e o hoje, ele prefere o amanhã. Diz que o amanhã tem mistério. E entre o ócio e o trabalho, claro, ele fica com o primeiro porque aprendeu com Ferreira que ninguém é de ferro. E de ferro Ferreira entende.
            Pois sim. Vital é assim. Enquanto os homens da cidade se fecham em golas e punhos, Vital abre a camisa no peito. Para e observa quando ninguém para nem observa nada. Todo mundo vai veloz. Todo mundo vai levado por alguma coisa que chamam de falta de tempo.
            Cadê o bom dia? O como vai a família? Que livro você tá lendo? E poesia? E música? Política, futebol... pelo menos política e futebol, gente! Fica Vital se perguntando por que as pessoas não se perguntam. E porque as pessoas não se respostam.
            Em vão. Os carros passam velozes. As motos passam atropelantes. E as pessoas? Pelo menos as pessoas podiam passar devagar. Mas não. Também não. Todos vão e vão e vão... sempre vão, nunca vem ao encontro delas mesmas.
            Vital, sim. Vital se encontra o tempo todo. Na cadeira de balanço. Na rede. Na calçada. Na praça. No café. Numa roda de conversa (é, ainda existem algumas). No bar. Ah, no bar é onde Vital se encontra mais. Porque ali algumas pessoas acabam parando. E parando se encontram. Porque deixam de ir e ir e ir. Ali elas ficam. Elas são elas mesmas por um pouco. Nem que seja por um pouco, afinal precisam correr porque o dia seguinte é dia de... correr.
            Como essa tal de falta de tempo tem deixado o tempo desumano. Todo mundo vai e só Vital é que vem. Quem será que tá na contramão?
            Sei, não. Acho que para este nosso tempo é vital ser Vital.

Alexandre Morais

LIVRO INFANTIL UTILIZADO PARA ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA EM AFOGADOS DA INGAZEIRA

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


 Da Assessoria de Imprensa
Prefeitura de Afogados da Ingazeira

    Vivemos um dos mais graves momentos da história da humanidade em se tratando de degradação do meio-ambiente. Aquecimento global, extinção de inúmeras espécies, morte de rios, crise de abastecimento de água, poluição, desmatamento e tantos outros problemas derivados da ação irresponsável do homem.

     Pensando em como levar esses temas para a sala de aula de forma lúdica e divertida, a Secretaria de Educação de Afogados da Ingazeira tem utilizado o livro infantil como ferramenta pedagógica. Dentro das atividades da semana do bebê, que este traz como tema “por uma escola e um mundo melhores”, o livro “O Sapo Rei”, do escritor Afogadense Alexandre Morais, foi tema de uma oficina didática.

    Em linhas gerais, o livro trata da degradação provocada pelo homem em uma lagoa. Revoltados, os animais se reúnem sob o comando do Sapo para combater a poluição e ensinar aos homens uma forma mais adequada de cuidar do meio-ambiente. A oficina foi coordenada pelo Professor Gilvani Marques para professores da rede municipal. A oficina apresentou propostas de exercícios, atividades lúdicas e formas de abordagem para leituras coletivas e debates em sala de aula.

    O próprio autor acompanhou a oficina e ficou encantado com o que viu. “É muito gratificante ver que uma obra literária que você criou com tanto carinho, extrapola as páginas impressas e se materializam em uma ação educativa, que pode ajudar a melhorar, ainda que um pouquinho, o mundo em que vivemos,” afirmou Alexandre, que ainda aproveitou para autografar alguns exemplares de “O Sapo Rei”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fórum Literário em Recife

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Olha aí o recado do poeta Altair Leal
 
     Amigos escritores,

     Realizaremos mais um fórum de literatura, tendo como pauta, a divulgação dos nomes selecionados para o calendário que será publicado em 2015 pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife. Este calendário contará com 12 poemas de 12  escritores. E outras pautas, tais como:
     Publicações de coletâneas em 2015 , e mais espaços para escritores nos eventos da prefeitura, além de outros temas.Sua presença é fundamental para que assim possamos construir debates e obter frutos que levem a literatura para caminhos mais visíveis.
     Nos nossos fóruns literários , você não é só ouvinte, você tem vez e voz.

DIA 19 DE NOVEMBRO DE 2014
QUARTA – FEIRA
HORA: DAS 14:00 AS 17:00
LOCAL: FORTE DAS CINCO PONTAS.
CENTRO DO RECIFE- PE

O sapo rei

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     Hoje tive mais um momento de alegria e emoção com o meu sapo rei. Coordenados pelo Professor Gilvani, professores de educação infantil da rede municipal de Afogados da Ingazeira vivenciaram a oficina "O sapo rei: alfabetização ecológica através de atividades lúdicas na educação infantil".
     Havia um roteiro pedagógico a ser trabalhado em sala alem do que imaginei ao escrever o livro. E aí todas estavam fazendo novas ilustrações da obra. Quer dizer, são releituras grandiosas a partir de um texto tão simples. Que bom..
     Obrigado a todos. E obrigado ao irmão Claudio Gomes pelo registro fotográfico da minha visita à oficina.
https://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/u/0/?view=att&th=149c38ea7a494c91&attid=0.4&disp=inline&safe=1&zw&saduie=AG9B_P9zh4o45mnhNVvDPVTAoQrS&sadet=1416335745275&sads=H9UgRXdvOXZMQdkJ_VWhbT0Re8k

Tá chegando o Funcultura Audiovisual

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Conversa de Cumpade

terça-feira, 11 de novembro de 2014



     Pra Cumpade Zé de Mariano, que partiu na frente, partindo a gente, mas se mantendo parte da gente.
   Saudade, cumpade!
 
Outro dia me embrenhei
Nuns carrascais desses nossos
Vi umas juremas finas
Paus d’arco, pereiros grossos
Vi um angico corcundo
Velho que só esse mundo
Mas bem forte e bem sombroso
Vizinho de um sombrião
Florido que só pavão
Do mesmo tanto orgulhoso

O sol deitava seus raios
No lençol verde da grama
Que reluzia o orvalho
Da lata que Deus derrama
Nas veredas travessavam
Salsas que se espichavam
Naquele pra-lá-pra-cá
E um cheiro de capim santo
Me fazendo bem dum tanto
Que nem carecia chá

Alem de ver, eu ouvia
Os tenores da floresta
Sabiás, xexéus, campinas..
Estavam todos em festa
Rolinhas branca e cafofa
E uma burguesa fofa
Pareciam ensaiadas
Cantando no mesmo tom
Produzindo um mesmo som
Em notas metrificadas
 
Um preá se esquentava
Num mediano lajedo
Olhado por uma cobra
Mas sem expor nenhum medo
Os saguis brincavam aos montes
Uns deles com brancas frontes
Outros só acinzentados
E as formigas sempre alertas
Caminhando sempre certas
Por caminhos mal traçados
 
Fiz parada pra pensar
O que é isto? Aonde estou?
Ou Deus veio até a mim
Ou, por outra, me levou!
Estou vivo ou estou morto?
Me perguntei, absorto,
Num misto de dúvida e fé
E quando olhei para frente
C’um riso mais que contente
Lá’stava Cumpade Zé

- Meu cumpade, como vai?
Que saudade! Que saudade!
Eu disse com o que cabe
De verdade na verdade!
Disse ainda: - Eu estou bem
Só não melhor porque sem
Você, cumpade, o sertão
Ficou menos sertanejo
E pelo jeito que eu vejo
Outro Zé num nasce, não

Ainda mantendo o fôlego
Num esforço sobre-humano
Disse: - Nem cumpade sabe
Quem foi Zé de Mariano!
Cumpade num sabe um terço
Do quanto chora teu berço
Sem te ter pra balançar
E quanto as noites tão sós
Sem ouvir a tua voz
Adormecendo o luar

- Zé, por onde é que tu andas?
Porque te fizeste ausente?
Só tu, Zé, sabia a língua
Natural de nossa gente...
Os riachos, Zé, tão mudos
E aqueles tons tão agudos
Das cigarras não são mais
Os mesmos que transmitias
Nas plangentes melodias
Dos teus doces madrigais

- Como é que tu deixas, Zé
O sertão na orfandade?
O Pajeú de tão triste
Só rima pela metade...
Não se vê mais o barulho
Daquele teu bom orgulho
De ser matuto assumido
E a serra tá quase louca
Sem ouvir tua voz rouca
Soprando em seu pé de ouvido

Mantendo o sorriso, Zé
Acalmando o meu assombro
Pertinho de mim chegou
E pôs a mão no meu ombro
Fitou-me por trás dos óculos
Com alcance de binóculos
Disse: - Pare. Eu parei
Deu-me um abraço com calma
Tocou-me o corpo e a alma
De corpo e alma eu chorei
 
Aí disse: - Meu cumpade
Você tá me vendo agora
Mas a você e aos poetas
Eu assisto a toda hora
Eu não saí do sertão
Apenas saí do chão
Porque a vida é inquieta
Estou junto ao Pai fraterno
O que me tornou eterno
Por ter me feito poeta
 
- Diga aos nossos que eu não quero
Vê-los em prantos imersos
Ao invés de algumas lágrimas
Prefiro que jorrem versos
Versos de paz, de amor,
De gracejo e, por favor,
Façam também de sertão
Não deixem de fazer isto
Porque eu renasço em Cristo
Nos versos de cada irmão

- Até logo, cumpade!
- Até logo!

Alexandre Morais
Afogados da Ingazeira-PE, 06/11/14

 
 
 
 
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